A Reforma Tributária brasileira terá início em janeiro de 2026 e representa a maior transformação do sistema de impostos das últimas décadas. Com a criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – além do IS (Imposto Seletivo) – as empresas passarão por um período de transição até 2033, no qual o modelo antigo conviverá com o novo.
Para as pequenas e médias empresas (PMEs), antecipar-se às mudanças será essencial. Empresas que atualizarem processos, acompanharem a legislação e investirem em tecnologia sairão na frente, reduzindo riscos e aproveitando melhor os benefícios da reforma.
O que muda em 2026 – entenda o novo sistema tributário
O modelo atual de tributação sobre consumo tem os seguintes tributos – PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS, que serão substituídos por três novos tributos principais baseados no modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado):
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): competência federal, substituirá PIS e Cofins com uma alíquota padrão única para produtos e serviços.
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): competência dos estados e municípios, reunirá ICMS e ISS com regras uniformes e arrecadação compartilhada.
- Imposto Seletivo (IS): de finalidade regulatória, incidirá sobre bens prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente (como cigarros, bebidas e agrotóxicos).
A lógica é tributar o valor agregado em cada etapa da cadeia produtiva, evitando a cumulatividade e melhorando a transparência. Com isso, as empresas ganharão previsibilidade e os consumidores terão maior clareza sobre o imposto embutido no preço.
Cronograma da Reforma Tributária de 2026 até 2033
A implementação será gradual, para que aconteça a adaptação do mercado e dos órgãos públicos:
| Ano | Etapa |
| 2025 | Aprovação das Leis Complementares e testes de integração. |
| 2026 | Início experimental com CBS (0,9%) e IBS (0,1%) em paralelo aos tributos atuais. |
| 2027 | Entrada oficial da CBS; extinção de PIS e Cofins. |
| 2028 | Ajustes operacionais no sistema, análise de desempenho e eventuais correções técnicas. |
| 2029-2032 | Transição progressiva de ICMS/ISS para IBS (10 a 40% ao ano). |
| 2033 | Novo sistema plenamente vigente; extinção total de IPI, ICMS e ISS. |
*Cronograma retirado do e-book do Serasa: De Olho na Virada Fiscal – Saiba como preparar sua PME para a Reforma Tributária
Durante essa fase de convivência entre os modelos, a complexidade temporariamente aumenta, o que torna fundamental o planejamento das PMEs.
Impactos da Reforma Tributária para as PMEs
Embora a reforma tributária mantenha isenções para MEIs e pequenos empreendimentos, seus efeitos indiretos também chegarão às pequenas e médias empresas (PMEs), que precisarão se adaptar ao novo cenário.
Durante o período de transição, os dois sistemas — o atual e o do IVA — coexistirão, o que vai aumentar a complexidade da gestão tributária, precisando de maior atenção das empresas que contam com equipes reduzidas ou estrutura administrativa mais simples.
Além disso, a criação do IVA trará mudanças importantes na apuração e compensação de créditos. O acúmulo de créditos tributários deixará de existir, e empresas do Simples Nacional que desejarem manter o aproveitamento integral desses créditos precisarão recolher o IVA separadamente. Essa dinâmica reforça a necessidade de planejamento tributário mais estratégico e acompanhamento técnico especializado.
Outro ponto relevante é o Imposto Seletivo (IS) que incidirá sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Essa nova cobrança pode elevar custos operacionais em determinados segmentos e impactar as margens de lucro das empresas afetadas.
Como as PMEs podem se preparar na prática
A preparação deve começar ainda em 2025, antes que as novas regras entrem em vigor. É importante lembrar que essa adaptação não é só na área contábil. A Reforma Tributária impactará diversas frentes da empresa — da tecnologia à estratégia comercial.
A seguir, veja os principais passos que ajudarão sua empresa se preparar para a reforma de forma segura e estratégica:
Mapeie impactos e faça simulações tributárias
- Levante todos os impostos atuais e simule a nova carga com CBS e IBS.
- Utilize ferramentas ou planilhas de simulação com apoio do contador.
- Analise por produto, serviço e região para ajustar preços e estratégias.
Reveja o regime de enquadramento
- Compare as vantagens do Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real no novo contexto.
- Em alguns setores, migrar de regime pode se tornar mais vantajoso após 2026.
- Faça um planejamento tributário com base nas regras de transição até 2033.
Atualize sistemas de gestão e ERPs
- Confirme se seu ERP (Planejamento dos Recursos da Empresa) está preparado para a nova estrutura de tributos.
- Teste a emissão de notas com CBS/IBS e ajuste relatórios contábeis.
- Priorize a integração com plataformas digitais da Receita Federal e da PGFN.
Capacite equipes contábeis e fiscais
- Promova treinamentos internos sobre a Reforma e seus impactos.
Invista em capacitação para setores de compras, vendas e financeiro. - Utilize materiais oficiais e conteúdo/notícias confiáveis.
Planeje o fluxo de caixa e os contratos
- Avalie possíveis diferenças temporais entre créditos e débitos tributários.
- Negocie com fornecedores e clientes cláusulas de reajuste e repasse tributário.
- Considere linhas de crédito para sustentar a fase de adaptação.
Obstáculos comuns na transição e como evitá-los
A transição para o novo sistema tributário vai precisar de atenção redobrada das PMEs. A convivência entre dois modelos e a necessidade de ajustes internos podem gerar riscos, mas identificar os principais obstáculos desde já ajuda a evitar erros.
- Subestimar o prazo de ajuste: a implementação plena ocorrerá até 2033, mas a estrutura experimental do IVA começa em 2026. Esperar demais pode gerar erros contábeis e custos extras.
- Falta de comunicação interna: envolva todas as áreas ( financeiro, vendas, compras e tecnologia) no processo de adaptação, para a empresa inteira estar a par das mudanças
- Tecnologia desatualizada: sem um ERP moderno, o controle de CBS e IBS pode se tornar inviável.
- Ausência de planejamento financeiro: o split payment e a mudança no momento da incidência podem reduzir o capital de giro temporariamente.
Por que agir agora faz toda a diferença para sua empresa
Apesar dos desafios iniciais, as empresas que se planejarem em 2025 terão várias vantagens competitivas:
- Menos burocracia: redução de obrigações acessórias e declarações duplicadas.
- Maior previsibilidade: com regras claras, unificadas e estáveis entre União, estados e municípios, as empresas passam a operar em um ambiente mais seguro e facilitando o planejamento tributário de longo prazo.
- Transparência nos preços: tributos destacados em nota fiscal, aumentando a confiança de consumidores e parceiros, deixando claro que imposto está sendo destinado para o lugar correto
- Formalização de negócios: simplificação estimula a entrada de empreendedores e novos parceiros
- Menor risco de autuações: ao seguir as regras de transição com antecedência, a empresa reduz erros fiscais e multas.
Ainda dá tempo de transformar a Reforma em oportunidade de crescimento
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança legislativa; é uma virada de chave no modelo de gestão empresarial brasileiro. As PMEs que focarem nesses últimos meses de 2025 com planejamento ganharão vantagem competitiva para crescer em um ambiente mais simples, digital e transparente.
O principal agora é revisar seus regimes tributários, atualizar sistemas, capacitar sua equipe e simular os impactos da CBS e do IBS. O futuro tributário do Brasil já tem data para começar — e quem se preparar antes vai sair na frente.



