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Gestão Tributária
21/01/2025

Qual o melhor regime tributário para a sua empresa em 2026?

Escolher o regime tributário certo sempre foi muito importante para o desenvolvimento econômico de uma empresa. Em 2026, esse cenário se intensifica com o maior cruzamento de informações – resultado do uso exponencial de IA –  e mudanças trazidas pela Reforma Tributária.

O ano de 2026 marca o início da transição do novo modelo de tributação sobre o consumo, com a entrada do IBS e da CBS em fase de testes, que substituirão o PIS e o COFINS. Mesmo sem impacto financeiro imediato, esses tributos já exigem ajustes operacionais, tornando este o momento ideal para reavaliar o regime tributário antes das mudanças definitivas em 2027.

Nesse cenário, entender os regimes tributários deixa de ser apenas uma obrigação contábil e passa a ser uma decisão estratégica. Existem três principais regimes: Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. Cada um possui regras próprias, impactos distintos na carga tributária e reflexos diretos no caixa.

O que é o regime tributário?

O regime tributário estabelece como os principais impostos da empresa são apurados e pagos ao longo do ano. Ele define a lógica de tributação de encargos como IRPJ e CSLL e, no caso dos tributos sobre o consumo, envolve hoje um período de transição: PIS e Cofins estão sendo gradualmente substituídos pela CBS e pelo IBS. 

A escolha do enquadramento tributário que a empresa vai seguir  impacta quanto será pago de impostos, o nível de complexidade da gestão fiscal, a exposição a riscos e fiscalizações e a previsibilidade financeira do negócio. Por isso, mais do que uma obrigação contábil, trata-se de uma decisão estratégica que afeta o caixa e a margem da empresa.

Por que o regime tributário precisa ser revisado todos os anos? Muitas empresas mantêm o mesmo regime por anos sem reavaliar se ele ainda faz sentido. O problema é que o negócio evolui, a legislação muda e o que era vantajoso no passado pode se tornar custoso no presente.

💡Mudanças no faturamento, na margem, no tipo de operação ou até no cenário regulatório — como está acontecendo agora — tornam a revisão anual não apenas recomendável, mas essencial.

Os principais regimes tributários no Brasil

Antes de escolher, é fundamental entender as características de cada um dos regimes. A seguir, apresentamos os três principais enquadramentos adotados pelas empresas brasileiras.

Simples Nacional

Instituído pela Lei Complementar nº 123, o Simples Nacional é voltado para micro e pequenas empresas, com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.

As principais características desse regime são o recolhimento dos  diversos tributos em uma única guia, o DAS, o que simplifica o processo de pagamento. Além disso, as alíquotas são progressivas e variam conforme o faturamento da empresa, e a complexidade operacional tende a ser menor quando comparada a outros regimes tributários.

Vantagens

  • Simplificação no pagamento de impostos;
  • Menor burocracia contábil;
  • Pode reduzir a carga tributária para empresas de menor porte.

Desvantagens

  • Limitação de atividades permitidas;
  • Em algumas faixas maiores de faturamento, a carga tributária pode ser maior do que no Lucro Presumido ou Real;
  • Restrições para aproveitamento de créditos tributários.

Lucro Presumido

Este é um regime tributário no qual o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) são calculados com base em uma margem de presunção estabelecida pela Receita Federal, independentemente do lucro efetivo da empresa. É indicado para negócios com faturamento anual de até R$ 78 milhões, com percentuais de presunção que variam conforme a atividade exercida.

Nesse regime, PIS e Cofins são apurados de forma cumulativa, sem aproveitamento de créditos. Com a Reforma Tributária, porém, esses tributos estão sendo gradualmente substituídos pela CBS e pelo IBS, com a alteração definitiva a partir de 2027 — o que torna ainda mais importante revisar a eficiência do enquadramento nos próximos anos.

Vantagens

  • Apuração mais simples que o Lucro Real;
  • Pode ser vantajoso para empresas com margens elevadas;
  • Menor custo operacional contábil.

Desvantagens

  • Pode gerar pagamento de imposto maior que o lucro real;
  • Não permite aproveitar crédito tributário;
  • Perde eficiência para empresas com margem apertada.

Lucro Real

No Lucro Real, os tributos são calculados com base no lucro efetivo da empresa, apurado pela contabilidade. Esse regime é obrigatório para empresas com faturamento anual acima de R$ 78 milhões e para alguns setores específicos, além de exigir um nível mais elevado de controle contábil e fiscal.

Nesse modelo, PIS e Cofins são apurados no regime não cumulativo, permitindo o aproveitamento de créditos. Com a Reforma Tributária, esses tributos serão substituídos definitivamente pelo CBS e pelo IBS em 2027.

Vantagens

  • Tributação mais justa em cenários de baixa lucratividade;
  • Possibilidade de compensar prejuízos fiscais;
  • Aproveitamento de créditos tributários.

Desvantagens

  • Maior complexidade operacional;
  • Exige estrutura contábil e fiscal mais robusta;
  • Maior exposição a fiscalização se houver falhas de controle.

Como escolher o melhor regime tributário para sua empresa

Não existe um regime ideal para todos. A escolha depende de uma análise técnica, que considere faturamento, margem, setor de atuação, estrutura de custos e o nível de maturidade fiscal da empresa. O enquadramento correto precisa refletir a realidade econômica do negócio, e não apenas a opção aparentemente mais simples.

Em 2026, esse cuidado se torna ainda mais relevante. AReforma Tributária já está em vigor e iniciou sua fase de transição com maior rastreabilidade, cruzamento de informações e novos tributos sendo testados. Escolher ou manter um regime sem reavaliação pode gerar custos ocultos e riscos no médio prazo.

Além disso, a partir de 2027, a substituição definitiva de PIS e Cofins pelo IBS e pela CBS altera de forma estrutural a lógica da tributação sobre o consumo. Embora possíveis ajustes nos regimes ainda não estejam em discussão, este é o momento ideal para avaliar o enquadramento de forma planejada, reduzindo impactos e preparando a empresa para o novo cenário tributário.

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