A 11ª edição da Feira Brasileira do Varejo (FBV), realizada entre os dias 21 e 23 de maio, superou expectativas e reafirmou seu papel como um dos principais pontos de encontro do setor no país. Mais de 10 mil pessoas circularam pelo Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre, gerando mais de R$ 53 milhões em negócios e reunindo 132 marcas expositoras — incluindo a RomaWise. O evento foi uma verdadeira imersão no presente e no futuro do varejo brasileiro.
Mas talvez um dos dados mais simbólicos desses três dias intensos de conteúdo, networking e inovação tenha vindo do Impostômetro: os brasileiros pagaram mais de R$ 20 bilhões em tributos durante o período da feira. Um número que dimensiona, por si só, a urgência de debatermos estratégias de gestão tributária, eficiência fiscal e sustentabilidade financeira dentro e fora do setor varejista.
A seguir, compartilhamos os principais aprendizados da FBV 2025:
1. Conectar para escalar: o poder do ecossistema
Empreendedores como Alexandra Casoni (Flormel e Shark Tank Brasil) reforçaram a importância das conexões humanas para impulsionar negócios. Mais do que vender produtos, o varejo precisa se integrar a um ecossistema de soluções, canais e pessoas. Escalar, segundo ela, é para quem entende o momento do negócio e foca no essencial. O simples bem feito — com clareza, foco e consistência — segue como diferencial competitivo.
Essa filosofia foi reforçada por Jayme Nigri Moszkowicz, da marca Reserva, que defendeu uma visão descomplicada do varejo, com menos foco em ferramentas e mais atenção às pessoas. Ouvir clientes e colaboradores, valorizar os times e manter viva a cultura da empresa foram algumas das práticas exaltadas como essenciais para crescer com autenticidade.
2. Inteligência Artificial: use, mas com propósito
Entre as palestras mais concorridas, os especialistas Luiz Pacete (Forbes) e Arthur Igreja reforçaram que a Inteligência Artificial não deve ser tratada como um recurso distante ou exclusivo de grandes empresas. Pelo contrário: os pequenos negócios têm na IA uma aliada acessível para vender melhor, entender o cliente e ganhar eficiência.
Mas a mensagem foi clara: tecnologia sem propósito não sustenta crescimento. Usar IA com simplicidade, adequando ao tamanho do negócio e sem perder a sensibilidade do contato humano, é o que define as marcas mais preparadas para o futuro.
3. Lojas físicas ainda importam. E muito!
Lee Peterson, uma das maiores autoridades globais em varejo, veio dos Estados Unidos para compartilhar insights sobre o comportamento do consumidor moderno. Ele destacou que, mesmo com o crescimento do digital, 57% dos brasileiros ainda preferem marcas locais e 43% fazem questão de consumir em lojas da sua região.
Segundo Peterson, a loja física precisa ser repensada não como um espaço de estoque, mas como um ponto de experiência. Vendedores bem treinados, curadoria de produtos e um ambiente que valorize o tempo do cliente são fatores que continuam determinantes para atrair e fidelizar consumidores.
4. Rodadas de negócios e soluções locais em destaque
Pela primeira vez, a FBV promoveu rodadas de negócios com a presença de 60 compradores e 230 fornecedores, conectando empresas de todos os portes. Histórias como a da El Capitan — uma pequena produtora de farofas e geleias — mostraram que inovação e oportunidade também se encontram fora dos palcos: no olho no olho, na negociação direta, na confiança construída entre quem produz e quem vende.
Além disso, o Conectar Hub foi um dos pontos mais visitados da feira. Startups apresentaram soluções inovadoras aplicáveis ao varejo físico e digital, reforçando o protagonismo das tecnologias desenvolvidas localmente e voltadas para os desafios reais das lojas brasileiras.
5. Sustentabilidade como valor e performance
A jornalista Giuliana Morrone trouxe uma provocação que ressoou com muitos participantes: é possível — e necessário — unir performance financeira à sustentabilidade. ESG deixou de ser tendência e se tornou parte estratégica dos negócios. Empresas como Renner e Mercur, citadas por Morrone, mostraram como é viável gerar valor, reputação e fidelidade por meio de práticas sustentáveis bem alinhadas com os objetivos da organização.
6. Varejo com leveza, propósito e atitude
A leveza também ganhou espaço no evento. O atleta paralímpico Daniel Dias emocionou a plateia ao falar sobre superação, foco e alegria como pilares para enfrentar os desafios da vida e dos negócios. Sua fala lembrou que, por trás de cada marca, há pessoas. E que essas pessoas precisam de inspiração e propósito para fazer o varejo girar com alma.
O que levamos da FBV 2025
Participar da FBV 2025 foi mais do que estar presente em um grande evento de negócios. Foi uma oportunidade de refletir sobre o papel que queremos ocupar no futuro do varejo brasileiro.
Como gestores, precisamos estar atentos à complexidade do sistema tributário — que drenou R$ 20 bilhões em apenas três dias —, mas também ao imenso potencial de transformação por meio da inovação, da conexão humana e da inteligência estratégica.
Na RomaWise, saímos com a certeza de que não basta acompanhar as tendências. É preciso fazer parte da mudança — seja ao ajudar empresas a otimizarem sua carga tributária ou ao construir, com nossos clientes e parceiros, um ecossistema mais inteligente, sustentável e competitivo.



