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Gestão Tributária
20/01/2026

Planejamento sucessório após a Reforma Tributária: o que empresários precisam revisar agora

A Reforma Tributária marcou uma virada importante no sistema fiscal brasileiro. Embora o debate público tenha se voltado principalmente para os tributos sobre consumo, como IBS e CBS, os efeitos da nova era vão muito além da rotina operacional das empresas. Um dos pontos que também está no centro das discussões é o planejamento sucessório.

Durante muitos anos, o tema foi tratado de forma distante, associado apenas a inventário e conflitos familiares. Mas a Reforma mudou esse cenário sob o ponto de vista tributário. Agora, a análise técnica e antecipada se tornou um movimento essencial para evitar riscos futuros.

O que a Reforma Tributária muda para o planejamento sucessório?

A Reforma Tributária não impede o planejamento sucessório, mas muda de forma relevante suas premissas. As regras ficam mais rígidas, mais objetivas e estruturas antigas precisam ser avaliadas. Por isso, destacamos os pontos que merecem maior atenção:

Progressividade obrigatória do ITCMD

A Emenda Constitucional nº 132/2023 determinou que os estados adotem alíquotas progressivas de ITCMD. Na prática, quanto maior o patrimônio que será passado adiante, maior tende a ser o imposto.

Isso torna as sucessões de maior valor significativamente mais onerosas, exigindo planejamento antecipado. Atualmente, a alíquota máxima do ITCMD é de 8%, mas pode chegar a 16% caso seja aprovado o Projeto de Resolução do Senado nº 57/2019.

Tendência de tributação pelo valor de mercado

Outra mudança relevante é o fortalecimento do valor de mercado como base de cálculo nas transmissões patrimoniais. Com isso, avaliações artificiais ou subavaliadas passam a encontrar menos espaço, e o risco de questionamentos e autuações fiscais tende a aumentar.

Maior exposição patrimonial em doações e heranças

Doações em vida e transmissões por falecimento passam a ser observadas com mais atenção pelo Fisco. O monitoramento das operações aumenta, e estruturas pouco documentadas ou mal justificadas devem ficar mais expostas a questionamentos e revisões futuras pela administração pública.

Perda de eficiência de estruturas genéricas

Estruturas padronizadas, replicadas sem análise individualizada, tornam-se ainda mais perigosas. O que funcionava para um patrimônio pode ser totalmente inadequado para outro, gerando riscos desnecessários para a família.  

O que muda na prática nos instrumentos de sucessão

A Reforma Tributária não desconsidera os instrumentos que sempre foram utilizados no planejamento sucessório, mas altera o seu custo, sua eficiência e o risco fiscal. Estruturas que antes funcionavam com mais facilidade passam a exigir mais técnica, documentação e coerência econômica para se manterem seguras ao longo do tempo.

Isso quer dizer que doações, heranças e reorganizações societárias continuam possíveis, mas precisam ser avaliadas considerando novas condições tributárias: progressividade, o uso do valor de mercado e um ambiente de fiscalização mais rigoroso. Com isso, cada instrumento passa a exigir um planejamento mais estruturado.

Doação em vida

A doação em vida irá se tornar mais onerosa com a progressividade do ITCMD e o fortalecimento do valor de mercado como base de cálculo. O imposto deixa de ser apenas previsível e passa a variar conforme o volume e o valor dos bens transferidos.

Herança

Os processos de sucessão causa mortis também devem se tornar mais custosos e complexos. Inventários podem sofrer impacto tanto do ponto de vista tributário quanto operacional. Para herdeiros sem liquidez imediata, o pagamento de impostos pode se tornar um desafio, pressionando a venda dos futuros bens ou a reorganização forçada do patrimônio.

Holdings familiares

As holdings familiares seguem sendo um mecanismo relevante no planejamento sucessório, mas perdem eficiência quando estruturadas apenas no papel. Com a Reforma Tributária, passa a ser ainda mais importante que a holding tenha base econômica, governança e finalidade evidentes.

Holdings sem coerência operacional tendem a chamar mais atenção do Fisco.

Integralização de bens e quotas societárias

A integralização de bens e quotas societárias passa a exigir maior cuidado técnico. Laudos de avaliação, justificativas econômicas e alinhamento com a realidade do patrimônio serão essenciais. As operações mal fundamentadas aumentam o risco de reclassificação pelo Fisco, com possíveis impactos tributários retroativos.

Riscos de não revisar o planejamento sucessório

Ignorar a necessidade de revisão do planejamento sucessório pode gerar grandes impactos. Mudanças na legislação, novas bases de cálculo e maior rigidez na fiscalização fazem com que estruturas antigas deixem de cumprir seu papel, causando o aumento inesperado da carga tributária, muitas vezes identificado apenas no momento da sucessão ou da reorganização patrimonial

Além do impacto financeiro, a falta de revisão pode comprometer a liquidez do patrimônio, dificultando o pagamento de impostos e fazendo com que os bens sejam vendidos. Estruturas mal definidas também devem aumentar os conflitos familiares e societários, além de aumentar o risco de questionamentos e autuações fiscais futuras, especialmente quando a forma jurídica adotada não reflete a realidade econômica do patrimônio.

Sucessão patrimonial no centro da estratégia do negócio

No novo cenário tributário brasilerio, planejamento sucessório deixa de ser apenas um tema jurídico e passa a ser uma decisão estratégica de negócio.

Integração entre sucessão, estrutura societária e planejamento tributário

A sucessão não pode ser tratada de forma isolada. Ela precisa estar integrada à estrutura societária, ao planejamento tributário e à governança familiar e empresarial, garantindo coerência entre patrimônio, negócio e continuidade no longo prazo.

Importância de revisão fiscal antes de qualquer reorganização

Antes de qualquer mudança, é essencial compreender a situação fiscal atual, mapear os riscos e avaliar como as novas regras podem impactar o patrimônio e a estrutura do negócio. Essa análise é importante para evitar decisões precipitadas e assegurar que qualquer reorganização será feita de forma segura e sustentável.

Planejamento sucessório exige personalização, não fórmulas prontas

A Reforma Tributária reduziu o espaço para improviso. Planejamentos sem estratégia personalizada, tendem a gerar mais riscos e custos no futuro do que soluções satisfatórias.

Revisão fiscal como estratégia de previsibilidade 

A Reforma Tributária não inviabiliza o planejamento sucessório. Pelo contrário, ela torna esse planejamento ainda mais necessário. O que muda é o nível de técnica e visão de longo prazo exigidos. 

Sucessões bem estruturadas continuam sendo fundamentais para proteger o patrimônio, garantir a continuidade dos negócios, preservar a harmonia familiar e manter a previsibilidade tributária ao longo do tempo

Nesse contexto, regularizar, revisar e planejar agora é a forma mais segura de evitar custos maiores no futuro.

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