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Gestão Tributária

Recuperação judicial: o que é e como funciona para uma empresa?

  • Autor do post Por Eduarda Abreu
  • Data de publicação 26 de agosto de 2026
  • Nenhum comentário em Recuperação judicial: o que é e como funciona para uma empresa?

O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, apresentado em agosto de 2026 e envolvendo cerca de R$ 17 bilhões em dívidas, colocou novamente a reestruturação de empresas no centro das atenções. A companhia citou juros elevados, restrição de crédito e aumento do custo financeiro após registrar forte prejuízo e fechar cerca de 300 lojas.

O caso reflete um movimento do mercado. No quarto trimestre de 2025, 5.680 empresas estavam em recuperação judicial no Brasil (crescimento de 24,3% em um ano, segundo levantamento da RGF/Receita Federal).

Para o empresário, compreender esse mecanismo é fundamental. A recuperação judicial não significa o encerramento da operação, mas sim um caminho legal para reorganizar obrigações, repactuar compromissos e preservar a continuidade do negócio.

O que é recuperação judicial e para que serve?

Regulamentada pela Lei nº 11.101/2005, a recuperação judicial é uma ferramenta de reestruturação que permite à empresa em crise negociar suas dívidas enquanto mantém suas atividades em funcionamento.

Vale destacar que recuperação judicial e falência não são a mesma coisa. Enquanto a falência decreta o fim da empresa e a venda de seus bens, a recuperação busca salvar o negócio viável por meio de um acordo estruturado com os credores.

Segundo a RGF,  divulgado em matéria do UOL, das empresas que encerraram a recuperação judicial no final de 2025, 71% retornaram ao mercado sem supervisão da Justiça e 29% faliram. O dado comprova que o sucesso do processo depende da capacidade real da empresa em cumprir o plano aprovado e reequilibrar seu caixa.

Quando uma empresa pode pedir recuperação judicial?

A medida é indicada quando o endividamento compromete a solvência e a continuidade operacional da empresa. Sinais frequentes de alerta incluem:

  • Dificuldade crônica na geração de caixa e pressão no capital de giro;
  • Elevação do custo financeiro e margens operacionais comprimidas;
  • Prazos de vencimento incompatíveis com o faturamento;
  • Gargalos operacionais e acúmulo de cobranças judiciais.

💡 O endividamento, por si só, não autoriza o pedido. A Lei nº 11.101/2005 exige que a empresa exerça atividades regulares há mais de dois anos, não tenha obtido recuperação judicial nos últimos cinco anos e comprove sua real situação econômica perante o juiz.

Como funciona o processo de recuperação judicial?

A recuperação judicial possui etapas definidas e envolve não apenas a empresa devedora, mas também o Poder Judiciário, os credores e o administrador judicial.

Como é feito o pedido de recuperação judicial?

O processo cumpre as seguintes etapas:

  1. Apresentação do pedido: A empresa protocola a solicitação em juízo com as demonstrações contábeis e comprovantes dos requisitos legais.
  2. Deferimento e nomeação: A Justiça analisa a documentação, aceita o processamento e nomeia um administrador judicial para fiscalizar as informações.
  3. Apresentação do plano: A empresa elabora e apresenta uma proposta detalhada contendo novos prazos, descontos, carências e eventual venda de ativos.
  4. Votação e homologação: Os credores avaliam e votam a proposta. Se aprovada, o juiz homologa o plano de recuperação.

O que acontece depois que a recuperação judicial é aprovada?

Com o plano homologado, as antigas condições das dívidas são substituídas pelas novas regras aprovadas. A empresa precisa focar na execução rigorosa do que foi prometido. Não basta apenas negociar prazos: é indispensável ajustar custos e estancar perdas para não colocar o processo em risco. 

Qual é a diferença entre recuperação judicial e extrajudicial?

Na recuperação judicial, a reorganização das dívidas ocorre dentro de um processo conduzido perante o Judiciário. A empresa apresenta sua situação econômico-financeira, estrutura um plano de recuperação e passa a negociar as condições com os credores dentro das regras previstas em lei. O processo também conta com acompanhamento judicial e atuação de um administrador judicial.

Já na recuperação extrajudicial, a negociação acontece de forma mais direta entre a empresa e determinados credores, antes de uma atuação judicial mais ampla. A companhia busca construir um acordo para reorganizar parte de suas obrigações e, atendidos os requisitos legais, esse plano pode ser levado à Justiça para homologação.

A escolha depende do perfil dos credores, do nível de urgência e do grau de intervenção necessário para reorganizar o passivo.

Quais empresas já entraram em recuperação judicial no Brasil?

Grandes companhias de diferentes setores já recorreram ao instrumento para reestruturar seus passivos:

  • Americanas (R$ 43 bilhões – Jan/2023): Envolveu mais de 16 mil credores entre bancos, fornecedores e funcionários.
  • InterCement (R$ 14,2 bilhões – Dez/2024): Cimenteira que recorreu ao processo para reorganizar um dos maiores passivos recentes.
  • Ambipar (R$ 11 bilhões – Out/2025): Atuante no setor ambiental, solicitou o processo para readequar seus compromissos.
  • AgroGalaxy (R$ 5 bilhões – Set/2024): Empresa de insumos agrícolas impactada pelas oscilações do agronegócio.
  • Bombril (R$ 2,3 bilhões – Fev/2025): Pedido motivado principalmente por contingências e autuações fiscais acumuladas.

Quando a recuperação judicial pode ser uma alternativa para a empresa?

A reestruturação judicial não deve ser vista como uma solução mágica. É preciso avaliar a fundo a capacidade de geração de caixa, o perfil do endividamento e a viabilidade da operação.

Nessa estratégia, o passivo tributário possui regras específicas e demanda atenção redobrada, já que certas dívidas fiscais não entram na recuperação judicial convencional, mas podem ser equacionadas via transação tributária e parcelamentos especiais.

Antes de tomar decisões drásticas, o ideal é contar com análise técnica especializada. Solicite um diagnóstico gratuito com o time da RomaWise. Mapeamos seus débitos fiscais e estruturamos a estratégia ideal para reorganizar suas contas, aliviar a pressão no caixa, recuperar o fôlego financeiro.

  • Tags empresas, Gestão tributária, negócios

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