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Gestão Tributária
29/05/2026

Reforma tributária, caixa e crescimento: principais insights da palestra do João Rocha na FBV 2026

Como parte da programação oficial da 12ª edição da Feira Brasileira do Varejo, um dos principais eventos de negócios, marketing e varejo do Brasil, o Dr.João Rocha, CEO e fundador da RomaWise, apresentou a palestra “Como lidar com impostos sem perder a capacidade de crescer?”.

Voltada a empresários, gestores e contadores, a apresentação teve uma análise sobre os impactos da Reforma Tributária nas empresas brasileiras, abordando temas como gestão de caixa, cadeia tributária e estrutura operacional em um cenário de transição fiscal.

Mais do que uma discussão sobre impostos, o encontro trouxe reflexões sobre crescimento, eficiência operacional e competitividade diante da nova dinâmica tributária brasileira. Compilamos abaixo os principais insights compartilhados com o público do evento:

A Reforma Tributária não começa em 2033

Um dos principais pontos abordados por João Rocha foi a percepção equivocada de que a Reforma Tributária só produzirá efeitos no futuro. No entanto, a reforma já está em curso desde janeiro deste ano e as mudanças previstas no novo modelo começam a impactar gradualmente a rotina financeira, operacional e estratégica das empresas.

Na apresentação, João também trouxe uma linha do tempo simplificada da Reforma Tributária

Durante a palestra, foi destacado que muitas empresas ainda estão tratando a reforma como um tema exclusivamente jurídico ou contábil, quando na realidade ela deve ser analisada como uma pauta estratégica.

Não existe mais estratégia de crescimento no Brasil sem estratégia tributária.

Crescimento e estrutura operacional entram em uma nova lógica.

A nova dinâmica tributária pode impactar decisões relacionadas à estrutura e aos investimentos das empresas. Nesse contexto, João Rocha explicou a diferença entre CAPEX e OPEX:

  • CAPEX: investimentos em estrutura própria, como imóveis, máquinas e frota.
  • OPEX: despesas operacionais e terceirizações, como logística contratada, aluguéis e serviços recorrentes.

O novo modelo tende a favorecer operações mais flexíveis e menos imobilizadas, ampliando o aproveitamento de créditos tributários principalmente em serviços terceirizados. Na prática, empresas precisarão revisitar decisões relacionadas à expansão física, compra de ativos e estrutura operacional.

Mais do que analisar “quanto custa investir”, a discussão passa a ser sobre o retorno financeiro real diante do novo sistema tributário brasileiro. Nesse cenário, gestão tributária se conecta diretamente às decisões de crescimento e eficiência operacional.

O regime tributário do fornecedor passa a impactar seu negócio

Com as mudanças fiscais em curso, o regime tributário do fornecedor passa a impactar diretamente o crédito fiscal do comprador em 2027. E isso muda a forma como as empresas analisam competitividade dentro da cadeia de negócios.

Hoje, companhias do Simples Nacional conseguem manter competitividade sem grandes impactos para quem compra seus produtos ou serviços. Porém, com a reforma, empresas do regime regular tendem a aproveitar créditos maiores ao comprar de fornecedores também enquadrados no regime regular.

Nesse novo cenário, a estrutura fiscal do fornecedor passa a influenciar diretamente o custo efetivo da operação. Por isso, as empresas precisarão revisar sua cadeia de fornecedores, analisar impactos financeiros e entender quais parceiros continuarão competitivos dentro da nova lógica de CBS e IBS.

Preço deixa de ser o único fator competitivo.

Split Payment muda a forma como o imposto passa pelo caixa da empresa

Entre os temas abordados durante a palestra, o split payment apareceu como um dos pontos de maior impacto financeiro do novo sistema tributário. O modelo fará com que o imposto seja separado automaticamente no momento da liquidação da operação, sem permanecer temporariamente no caixa até o recolhimento no mês seguinte.

A mudança tende a reduzir o chamado “float tributário”, prática utilizada por muitos negócios para auxiliar o capital de giro. Com isso, o faturamento bruto deixará de representar necessariamente caixa disponível, aumentando a necessidade de previsibilidade financeira e controle mais eficiente do fluxo de caixa.

O mecanismo também deve reduzir o espaço que muitas operações utilizavam para ganhar “fôlego” financeiro no capital de giro por meio da postergação do recolhimento dos tributos. Nesse cenário, previsibilidade de caixa e planejamento financeiro passam a ter um papel ainda mais estratégico dentro das empresas.

Crescimento exige inteligência financeira

A palestra reforçou que o empresário brasileiro já opera em um ambiente marcado por alta carga tributária, insegurança regulatória e pressão operacional. No entanto, futuro fiscal exigirá ainda mais previsibilidade, inteligência financeira e capacidade analítica das empresas.

Para o especialista, mais do que acompanhar mudanças legais, empresários e contadores precisarão revisar decisões relacionadas à estrutura operacional, cadeia de fornecedores, investimentos e gestão de caixa. 

Quem começar a se preparar agora terá mais capacidade de adaptação, previsibilidade financeira e vantagem estratégica diante do novo cenário tributário.

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